No Mato Grosso do Sul: Bonito e econômico, é possível?

Viajar no Brasil, para destinos relativamente distantes das nossas moradas, realmente não é nada barato. Ainda mais quando pensamos em alguns destinos específicos. Ainda mais quando pensamos exatamente no primeiro ponto para nos deslocarmos ao destino: a passagem de avião. Isso não basta: se queremos optar por uma hospedagem mais confortável, se não estamos dispostos a cozinhar durante a viagem, tudo isso encarece ainda mais a viagem.

Bonito é um destino que demanda uma verba considerável. Além do tripé transporte-hospedagem-alimentação, os passeios, atrativos turísticos, em geral, são bem salgados.

Fizemos uma viagem a este afamado município, e felizmente gastamos bem menos do que oferece a empresa que comanda os pacotões no país. Fora a liberdade. Segue abaixo uma ajuda e dicas.

A primeira coisa que fizemos foi uma pesquisa no site skyscanner … este site nos parece o melhor para pesquisa de passagens aéreas. Simplesmente eficaz.

Encontramos passagens de ida e volta para Campo Grande, entre os dias 9 e 14 de fevereiro de 2017 por R$ 294,00. Muito barato, bem no meio de umas férias curtas, e detalhe: fora de temporadas. Em janeiro, julho e todos os feriados o valor sobe consideravelmente, absurdamente.

Outra coisa: voos diretos para Bonito são bem, muito, mas muito caros, obviamente.

Os meios de hospedagens em Bonito são diversos. Existem muitos hotéis requintados. Na escala mochileira têm diversos hosteis.

E nós escolhemos um camping. Estes em numero bem reduzido.

E de fato a hospedagem no camping foi maravilhosa, pois ficamos no “Nomadas”. R$30 a diária. Tem também chalés no Nomadas, por R$90 a diária.

O lugar é simples, mas é super limpo, organizado. Tudo. É belíssimo, possuí uma pegada bem sustentável. As construções do local foram praticamente feitas com material reciclado, de demolições, etc. E também é super seguro, com equipamentos de segurança instalados nos chalés. Outra coisa é a cozinha compartilhada, com fogão elétrico e fogão a lenha. Dispõe de três geladeiras e muitos utensílios básicos para ajudar a fazer uma boa refeição.

O camping fica próximo ao centro, por volta de 10 minutos, ao lado da rodoviária, pertíssimo de um grande supermercado.

O espaço de camping não é muito grande, mas comporta um bom número de barracas (dúvidas quanto a isso: melhor consultar o site). É praticamente todo ladeado de árvores, mangueiras, carambolas, etc, o que disponibiliza uma boa sombra.

Do contato com a proprietária do camping ela nos indicou a agência Echoes tour para fazer os passeios.

Escolher os atrativos: no município de Bonito você vai encontrar mais de 50 possibilidades de atrativos segundo o proprietário da Echoestour. Matizes de cores, beleza, vegetação, pássaros, rios, cachoeiras. Creio que é bem difícil conhecê-los numa tacada só, a não ser que seja o tio patinhas. Sendo assim, é interessante uma pesquisa pela rede, conversar com amigos que já foram; ou numa verve mais aventureira pesquisar e fazer as opções por lá.

Nós fizemos uma relativa pesquisa aqui em SP, mas foi em Bonito que decidimos.

Os preços dos passeios, para uma pessoa, variam de R$ 30, no caso de uma visita ao Balneário, um lugar simples, mas bem bacana e, decerto, BONITO; até outros, bem mais dispendiosos, caso do Rio da Prata, R$ 160, nível deslumbrante, onde é possível fazer uma flutuação descendo este rio por mais ou menos 1h40min.

Também descemos o Rio Sucuri, de beleza impagável, furta-cor, indescritível. As fotos falam, falam sim. Na Barra do Sucuri existe um restaurante chamado “Mas Quá” onde você pode almoçar ao lado de uma parte do rio. Mesmo sem fazer a flutuação, você pode ir somente no restaurante, almoçar e tomar um banho no rio cristalino. O cardápio é simples e as refeições ficam entre R$50 e R$ 70 para duas pessoas. É uma opção de passeio também.

Além destes citados acima fomos a Bodoquena, num passeio que você desfruta de 6 cachoeiras belíssimas, se diverte numa descida rápida de bote numa pequena queda d’agua, e brinca numa tirolesa. Levar um calçado confortável, uma papete, por exemplo, até mesmo pra entrar na água. Esse passeio já vinha com o almoço incluso. Bodoquena fica a 70 km, possui diversos atrativos  e está num começo de investimentos no turismo, na mesma toada do seu vizinho.

Umas últimas dicas:

Não há a possibilidade de pechinchar entre agências. Os passeios são tabelados. E a compra é feita antecipadamente por meio de um voucher na agência, uma via fica contigo, uma vai para a secretaria de finanças da prefeitura, e uma outra vai para o administrador do atrativo, proprietário né… Uma vez que a maioria são fazendeiros, que além da soja, são donos das RPPNs, Reserva Particular do Patrimônio Natural, unidade de conservação de uso sustentável, onde o proprietário decide se quer inseri-la nesta categoria, e ainda é isento de imposto territorial.

Atenção: não é possível comprar os passeios direto no local! É interessante comprá-los com alguma antecedência, principalmente se você for em feriados e alta temporada, pois os passeios tem limite diário de pessoas, e você pode correr o risco de não conseguir ir, e se frustrar… Mas claro que vai ter outros disponíveis dentro dos mais de 50 atrativos. O intuito do voucher (uma ação que é até premiada), além de organizar bem o turismo, é evitar a sonegação de impostos. Neste caso, do serviço de turismo, os empresários não estão isentos.

Do aeroporto de Campo Grande até a rodoviária do município, você tem de fazer uma via crucis, caso decida ir de ônibus. Segundo a recepcionista do centro de informações do aeroporto são três ônibus. Como não queríamos causar com mochilas em diversos ônibus optamos pelo taxi, aí são uns quarenta e cinco reais. Na volta de Bonito a Campo Grande, a empresa Cruzeiro do Sul decidiu que não havia necessidade de irmos de ônibus, e disponibilizou uma Van. Aproveitando a ocasião pedimos a motorista para nos deixar em um local mais próximo do aeroporto, e economizamos bem no taxi, foram R$ 15.

Há traslados de Campo Grande a Bonito feito por Vans particulares, bem salgado: em média R$ 100. O ônibus custa R$ 65,11. É bem precário, diga-se de passagem, mas vai. Talvez seja interessante tentar negociar com as empresas de translado um preço melhor.

Bonito tem diversos bares e restaurantes, indicamos o Juanita para refeições. Oferecem Pacu na Brasa, além de carnes. Fomos também no bar Taboa, bom para tomar uma cerveja, oferecem música ao vivo. Mas daí é ver as possibilidades e gostos de cada um. Têm restaurantes tradicionais, com manifestações culturais sul matogrossenses, árabes, opções vegetarianas…

Uma dica importante para mais economias é verificar se o passeio inclui ou não o almoço, e se caso inclua, ver quanto fica. Isso porque em alguns passeios, os restaurantes oferecem refeições a preços de aumentar a pressão arterial, como R$50 reais por pessoa, enquanto em outros a refeição fica por volta de R$25 por pessoa, e na verdade você não vai ter outras opções de refeição porque você vai estar no meio de uma fazenda. Mas nada impede de você levar um lanche nos casos onde o almoço for mais caro, como algumas pessoas fazem. É preciso calcular o custo benefício.

Levar repelente, óbvio. Mas é preciso verificar se pode usar, no caso de algumas flutuações é expressamente proibido, pois é prejudicial ao rio.

Trilhas acessíveis, em geral, planas, bom ir com uma papete, porque nas cachoeiras e rios tem muitas pedrinhas que incomodam.

Aluguel de máquinas Go Pró, pra filmar e fotografar nas flutuações: entre R$50 a R$80. É feito diretamente onde se faz o passeio.

A Gruta Azul é fascinante, embora qualquer nuvem atrapalha… mas mesmo nublado é possível ver a beleza desse lugar, o tão esperado azul. Indescritível. A melhor época pra visualizá-la é entre dezembro e janeiro, nos horários das 8h às 9h da manhã. São diversos fatores pra se ver o azul da água.

No camping Nomadas, o Henrique vende umas barra de frutas secas produzidas a partir de banana, jaca, castanhas baru, tudo orgânico, o nome é Bio Sol, alimentos funcionais. Um lanchinho bom para comer antes de entrar nas flutuações. Ele compra dos assentados lá do Mato Grosso do Sul. Haja luta desse povo pra produzir, em meio aos grandões do agronegócio. Além do camping, tem esse envolvimento muito bacana. Estas coisas parecem nos procurar.

Até mais viajantes!

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Amazônia – Manaus, Santarém, Alter do Chão, Ilha do Marajó e Belém

“Este não é um relato de façanhas impressionantes, é uma parte de duas vidas registradas num momento em que cursaram juntas um determinado trecho, com identidades de aspirações e conjunções de sonhos. Nossa visão foi muito estreita? Muito parcial? Muito precipitada? Nossas conclusões foram rígidas demais? Talvez. Mas este vagar sem rumo por nosso “Brasil” maiúsculo me mudou mais do que eu pensei. Eu já não sou eu, pelo menos não mais o mesmo eu por dentro.”

Adaptado de Ernesto Che Guevara –
Diários de viagem.

O começo

Nossa aventura pela Amazônia começou… Primeiro (primeiramente Fora Temer) pela revolucionária e caleidoscópica internet.. Garimpamos as passagens de aviões, caras por sinal… Na bagagem: além das mochilas levei o Turista Aprendiz, de Mário de Andrade, com sua fascinante narrativa pela Amazônia… Acompanhou bem…

Segundo… No asfalto, sobre Manaus, Mário ficaria irritado com os tempos do automóvel… Ele venceu… as últimas eleições municipais no país e seus candidatos pró-velocidade, que o digam… Manaus não é mais a mesma do turista aprendiz… naturalmente fluvial, assoreada, a vida segue…

De cara pegamos aquela chuva intensa pela tarde, depois noite alegre…
Na praça do teatro, da belle époque, a noite cheia de gente nos arredores… popular… Mas antes nos embrenhamos em caminhadas, lotações, e almoçamos num bairro da periferia, Educandos… vista linda do Rio Negro e mosaico de Manaus: trapiches, embarcações e as casas com tijolo à mostra sem acabamento, tipo (meso) perifa.

O centro tem vários, VÁRIOS, prédios históricos provavelmente, na mesma vibe histórica do ciclo da borracha visivelmente abandonados, tomados pelo matos.

Tacacá vendido em todos os cantos, espero que os food trucks não os engulam… Aos vegetarianos, ou alérgicos, dá pra fazer Tacacá sem camarão, obvious…

Sotaque dos manauaras semelhante aos vizinhos fluminenses, belle époque colonialista, história, linguistas devem explicar toda essa razão… impressões de pronto que ficam… Logo mais entraríamos Rio adentro… Rio Negro… Rio Amazonas…

Nesse caso fizemos um passeio de barco e os flashes fugazes de muitos coletores de imagens de golfinhos incomoda um pouco… Também visitamos uma tribo Indígena, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé.

Pode-se discutir os limites do turismo quando se visita uma tribo já integrada às atividades, mas não discordo e nem sou contra a comunidade trabalhar com isso. Como o post é longo, a viagem é longa, a viagem na maionese também, não vou delongar no assunto… Mas ele (turismo e comunidades) é muito bem tratado aqui neste blog… Apenas ressalto que a comunidade, já surrada com a especulação imobiliária, e não apenas isso, a legislação ambiental que foi instituída no país, pouco soube, até então, dialogar com os índios e comunidades tradicionais em geral, o que ajudou a criar um quadro de exclusão absurdo.

Foi bacana a experiência, sim.

Telefones até aqui, então:

Hospedagem: Local Hostel Manaus

Rua Marçal, 72 – Centro, Manaus – Amazonas

Telefone: +55 92 3213 6079 / +55 92 3213 9159

Instagram: @localhostel

Facebook.com/localhostelmanaus

www.localhostel.com.br

Passeios de barco: Capitão Mauro

Tel: 92 991254563  –  988335190

Passeio de barco em manaus:

150 reais por pessoa, com almoço. Boto, vitória régia, encontro das águas.

Tem outras opções. Tem um de cachoeiras, deve ser ótimo, não fizemos. Deve ser refrescante…

Conhecemos um taxista, Sulivan, boa gente, mas não pegamos o telefone, vacilo… Ele levou a gente num restaurante num bairro quase perifa, Educandos. Bem simples, mas com vista pro rio. Depois voltamos de lotação…

No Barco a Caminho de Santarém...

Pra um paulistano que sonha em ver o Rio Tietê limpo e em condições pra navegar, na Amazônia os barcos comandam o monopólio dos transportes… tudo é barco…

Pra comprar uma passagem de barco com destino à Belem ou Santarém, pode-se falar com o mesmo capitão Mauro ou com nas barracas de pacotes turísticos que ficam na avenida em frente ao Porto de Manaus… logo atrás do Mercado Municipal…

No barco: 600 reais um quarto de casal, 120 a passagem nos redários do barco, enfim dormir na rede…

Da embarcação avista-se os famosos igarapés e os rios perenes das aulas de geografia colegial, igualmente, marcam presença… Da geoantropologia: comunidades flutuantes… em todas paradas comerciantes adaptam varetas enormes, taquaras, com compartimento feitos com partes de garrafa pet, que atingem todos os níveis do “Golfinho do Mar”, o barco… Por meio dessas engenhocas vendem assado de panela, bolo de macaxeira, algo semelhante a um queijo,rsrs, e o famoso “gelinho” conhecido cá como como chopão, dindin… Tudo isso principalmente aos moradores da região que viajam nas redes… de Juruti, Parintins, provavelmente ao Tapajós, entre muitas e também Santarém, nosso destino…
Aqui a água, para além das representações poéticas amazônicas… Parafraseia-se Mário: pense nas mães daqui, provavelmente bem diferente da terra do asfalto do sudeste, que dizem ao seus filhos quando estes se expõem à chuva: “sai dai menino, vc vai se molhar!” Aqui, quando as crianças se afastam da água, devem dizer: “sai daí, vc vai se secar!”

Os grandes rios do Brasil não me saem mais, nunca mais, da cabeça. Travessias pelo Juruá ou Purus, Peru-Acre; Rio Japurá, sentido Amazonas-Venezuela, Colômbia… Rio Araguaia, São Francisco… Haja férias pra estes roteiros…

Em Santarém, Alter do Chão…

Realmente meus caros leitores, eu e Ana dominamos a arte de acampar e toda sorte de imprevistos e intempéries… Essa barraquinha verde já circulou pelos rincões desse país… e fora uma Náutica, e uma meia-boca FIT que suportou todo o peso de quase todo o périplo de Ubatuba com ubachuva…
Pois bem, o calor do Pará talvez se compare ao da Líbia, que já registrou suas temperaturas semelhantes à Marte… Pará e Cuiabá é pau a pau… inda bem que não se acampa na selva de pedra de Cuiabá…rsrs…
Nem a barraca pós-moderna quatro estações da Quechua segura o churrasco humano….

Sigamos singrando desde Amazonas. De lá ficam os flashes fugazes aos botos. Semelhante aos flashes às onças do pantanal, vislumbrados em uma viagem ano passado, devemos uma postagem.
Em Alter o destino nos envia ao camping onde há uma moçada engajada no resgaste do Carimbó (Alou Mario de Andrade!)… O grupo tem pegada antropofágica com músicos argentinos… Sim, eles estão no meio de nós.
Murici, Tijuca, fauna, seu Cleo, um garoto xará (Tacio), e o Morro da Piroca, isso, sim. Fica atrás (foto) do istmo das palhoças tipo “Bora-Bora”.
Caleidoscópio não para. Por agora.

Hospedagem:

Camping Iguana, e tem redário…

https://www.facebook.com/Iguanas-Red%C3%A1rio-e-Camping-1701253763475615/

Passeio de barco

Raimundo Pinho

A gente foi para a praia Pindobal. Linda demais. Mas tem outras opções.

Foi 50 reais por pessoa.

93-99206-7755

93 99225-8764

No Marajó…

Experiência fascinante na Praia do Pesqueiro em Soure, Ilha do Marajó… Turismo comunitário…
Como disseram os locais: já até foi bem mais mobilizado… Mas… Ainda há uma galera muito articulada: Cris e Roberto que tomam conta da Casa do Pescador… Dona Naza e Roberto que tocam o comércio, articulam-se com o Seu Catita, experiente pescador, muito, muito sagaz e nos levou a um passeio incrível num igarapé… Tem um restaurante comunitário na comunidade do Céu…
Falta apoio, como sempre, da prefeitura, essas coisas…

Sobre a hospedagem, no início a galera dormia na casa deles. Agora eles estão mudando a estratégia e fizeram um quarto com banheiro para alugar, isolado, no quintal, e também um redário do lado. Bem ao estilo “Casa de Pescador”… Como o nome sugere…

Fato: dá pra dormir olhando as estrelas!!!

Tem camping, mas naquelas bandas o redário é o mais confortável, por conta do calor…

A praia tem guarás e garças, e tem que ficar ligeiro com o horário da maré. Mas é linda. Vários restaurantes e o almoço vária de 45 a 60 reais pra duas pessoas.

Recomendamos o passeio de barco com o senhor Catita, super conhecedor do local. Fomos até a comunidade do Céu, e a praia Caju-una. Lá tem um bar na praia que custa 4,50 a cerveja.

Meus caros, cada vez que nos embrenhamos por este país, mais a verve socialista libertária acende ou ascende… a gente vê beleza, vê pobreza, uma galera preparada pra enfrentar o caos econômico… a gente se desespera…

Empresariada, fazendeiros tomam conta de tudo… Governo só olha…

No período que antecedeu, ajudas de instituições públicas como ICMBio (a Vila do Pesqueiro tá nos limites de uma Reserva Extrativista) eram bem vindas, mas a galera (ICMBio) precisa sacar qual é das comunidades: a fauna é linda, mas quem tá lá pra segurar? Conhecimento técnico versus tradicional, sempre o mesmo prélio…
Idem: ajudas dos sistemas S, beleza! como a do Sebrae… são bem-vindas… mas, da minha parte essa pegada apologética “empreendedora” deixa, em muitos casos, os rastros da internalização competitiva da economia… reitero: a ajuda é necessária, só separar as coisas ai…
A parada é complexa… Não falo no alto dos jardins da razão. Sei lá… é preciso jogar as discussões e provocações…
No mais, fora a revolução, acampar, dormir em barco, dormir em rede, em hostel, tapioca com mussarela de búfala, comer açai com farofa… é sempre massa… Algumas dificuldades com tempo, mas ainda continua!

Indicação imprescindível é do Taxista Fábio no Marajó:

Fábio Vitelli 984826327 / 991938244.Muito atencioso, arrumou a lancha pra gente, indicou restaurante pra gente comer açai.  Parece que ele aceita cartão. Mas o melhor é levar dinheiro.

Casa do Pescador (Cris e Roberto):https://es.airbnb.com/rooms/10376245

Guia de Turismo do Marajó em Belém: Andrea Scaffi: 91 37411687  –  988587560

Agência que trabalha TURISMO COMUNITÁRIO em Belém:

http://estacaogabiraba.com.br/site/

Aliás agradeço muito as dicas preciosíssimas da Gabi do Estação Gabiraba, indicação de uma amiga, a Thalita Thomazzeti (que tem um blog de turismo comunitário: https://turismocomunitarioblog.wordpress.com/)

Em Belém…

Muitas coisas… Ilhas como a do Combu, 10 minutos de barco, ou alguns bares…

Beber cervejas no Amazon Beer… cervejas de açai, taperebá, piprioca…

Daí fomos ver o Ver-o-Peso…
O Complexo arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso, inaugurado em 1901 (embora a história remonte a muito antes) foi tombado pelo IPHAN, em 1977. Foi registrado por este instituto mais de 40 ofícios relacionados às atividades do mercado.
Seu espaço é organizado pensando no fluxo dos compradores… as ervas, os peixes, as frutas, artesanato, enfim…

A estrutura de ferro seguiu a tendência francesa de art nouveau da belle époque… lembrando do início da nossa saga-viagem, lá no afamado Teatro Amazonas.

O local certamente simboliza a identidade da cidade de Belém. Todos citam, todos falam: taxistas, recepcionistas de hotéis, vendedores de Tacacá, até na Farmácia a visita à tradicional feira livre (a maior da América Latina) é recomendada. Representa o abastecimento ao estado do Pará, diga-se de passagem, um dos maiores da federação.
Fica claro como o povo trabalha muito, incessantemente.

O lugar também foi contemplado pelo PAC Cidades Históricas. Muito semelhante ao caso da nossa Paranapiacaba, em Santo André (devo uma postagem sobre Paranapiacaba nesse post, uma vez que tive minha experiência de trabalho lá!). As semelhanças não param por aí, as estruturas de ferro foram trazidas pelos ingleses, tal como fizeram com parte das estruturas da vila serrana, andreense…

De qualquer modo tem uma questão muito presente que é o conhecimento tradicional no local, salientado pelos ofícios mencionados acima.
A praça de alimentação é pura diversidade de comidas e sucos…
O lugar é caótico como toda região central… mas é vibrante… Diversidade de imagens, sons e pessoas… Tão aromático como a amazônia… Mas com odores fortes também…

No fim…

Em Belém, ainda fomos num bar, Black Dog, que estava rolando um show de umas bandas de rock locais… Muito bom!

Hospedagens em Belém:

Hostel Amazonas e Amazonas Hotel (isso, são dois, e diferentes, em prédios bem antigos, ou seja, muito rústicos).

http://www.amazoniahostel.com.br/

http://www.hotelamazoniabelem.com.br/site/

Experiências amazônicas… inesquecível…

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Enseada da Baleia, Ilha do Cardoso – SP

Na ilha do Cardoso, em São Paulo, existem muitas comunidades tradicionais caiçaras. Dentre elas, está a Enseada da Baleia, vilarejo que fica um pouco mais à frente da Vila do Marujá, outra comunidade conhecida, certamente excelente para turismo de base comunitária e campismo.

Para conhecer melhor a Enseada da Baleia é interessante começar por sua história. O forte da Enseada da Baleia era o peixe seco, atividade tradicional comandada pelo senhor Malaquias, hábil comerciante e líder comunitário, ainda que o vilarejo também oferecesse o turismo na temporada, em casas e quartos para locação, e também no campismo, sendo estas atividades eram complementares, para os moradores da Enseada da Baleia. Porém, a comunidade passou por reviravoltas após o falecimento inesperado do líder comunitário Malaquias.

Após sua morte, as atividades econômicas se desregularam, uma vez que ele era o principal contato comercial, e a comunidade não conseguia refazer estes vínculos. Em meio de grande desalento pela perda do senhor Malaquias, a força para recomeçar veio das mulheres. Todas as mulheres da comunidade se juntaram e começaram a produzir peças de artesanato, como sacolas eco-bags, com as máquinas de costura de pedal, uma vez que a comunidade não tinha energia elétrica na época. A atividade em grupo, denominada economia solidária, começou a dar rendimentos e também participação em feiras em diversas regiões do país, em projetos, como um projeto da Petrobrás. Trouxe também cursos de qualificação e técnicas de costura, para as mulheres. As mulheres começaram a produzir o artesanato com temáticas caiçaras, como rede de pesca na peças.

Mas o mais importante foi que a atividade uniu a comunidade para que pudessem se organizar para outras atividades, através de reuniões de organização. Atualmente, a comunidade se organizou para receber grupos, como escolas e universidades, assim como também o turista interessado em conhecer a vida e tradição caiçara. As mulheres foram a principal força de organização para que a comunidade possa receber grupos, dividindo o trabalho, incluindo a hospedagem, refeições e oficinas sobre a cultura caiçara, como a pesca da tainha nas armadilhas, entre outras.

Há cerca de um ano a comunidade conseguiu o acesso a energia elétrica, através de placas solares do programa Luz para Todos, o que traz maior conforto paro o Turista. A hospedagem se dá em casas de madeira, típicas caiçaras, que apesar de simples são muito confortáveis: frescas no calor e quentes no inverno. Dependendo da quantidade de pessoas, existe a acomodação em quarto de casal, ou em quartos com beliches. Existe também a possibilidade de camping, como também de locação de uma casa, com a possibilidade de utilização da cozinha. É importante entrar em contato antes de ir, e já deixar acertado a data e quantidade de pessoas, de forma que eles possam se organizar. Na temporada também funcionam alguns bares e restaurantes. A comunidade tem um lado para o Lagamar, com mangues e fauna característica e outro lado para o mar aberto, com extensa praia, proporcionando o contato com dois ecossistemas diferentes. A vila fica ao lado do Parque Nacional do Superagui, já pertencente ao estado do Paraná. A localização proporciona a possibilidade de diversos passeios de barco.

Para se chegar até a comunidade Enseada da Baleia, é necessário pegar um barco em Cananéia, na avenida Beira Mar, próximo à balsa. Para quem vem de ônibus de São Paulo, o ônibus pára no ponto final, próximo a um campo de futebol, que fica a cerca de duas ou três quadras da Avenida Beira Mar. O mais comum são os barcos de alumínio, conhecidos como “voadeiras”. É interessante ir em grupos de 4 a 6 pessoas para baratear o custo de barco, dividido entre cada passageiro o valor do barco. A viagem de barco dura cerca de uma hora e meia. O caminho até lá, pelo lagamar inclui geralmente a observação de golfinhos, muito comuns na região, que curiosos, saltam e se exibem eventualmente no caminho. Atualmente a região possui Guarás, lindas aves vermelhas que se alimentam do caranguejo, e que parecem estar se recuperando da extinção, pois segundo os próprios moradores, essas aves não eram vistas há alguns anos.

A Enseada da Baleia é uma opção para quem deseja conhecer e apreciar as belezas da Ilha do Cardoso, e ter contato com uma comunidade tipicamente caiçara, com um pouco mais de sossego e sem muita badalação. Principalmente porque a comunidade conseguiu se organizar para permanecer no local, e recentemente está também retomando a atividade com peixe seco, encabeçada também pelas mulheres da vila.

PS: nos últimos momentos a comunidade citou a lei de privatização das unidades de conservação no estado com muito desalento. Parece-nos preocupante a estas comunidades este caminho que o governo paulista insisti em perseguir…

 

Fotos, e no final um slide da pesca no cerco!

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Quilombo do Ivaporunduva

E lá, quase no Paraná, seguindo pela historicamente sinistra estrada Régis Bittencourt, agora duplicada… Aliviando a tensão de muitos viajantes que curtem o Vale do Ribeira, o litoral sul, Iguape, Ilha Comprida, Cananeia etc e tal….
Depois acessa-se umas vicinais, até que razoavelmente transitáveis. Logo mais passa por diversos quilombos… E é lá que se tem muitas histórias, uma viagem pra se conhecer historias de um Brasil construído por pessoas resistentes…
As conquistas são de longa data… De Zumbi, um de nossos maiores heróis, o qual a história dos vencedores tenta a todo custo obscurecer dos memoriais…
Está lá um grupo guerreiro, o Quilombo do Ivaporunduva…
Não bastasse a saga que o povo negro brasileiro tivesse que superar ao longo destes nossos 500, os quilombolas ainda lutam contra muitas adversidades… Agora, estão envoltos na luta contra a construção de uma Hidrelétrica que pode inundar tudo: as matas, os animais…
Submergiria principalmente as histórias de um povo guerreiro, seu imaginário, seu simbolismo…
Felizmente, esta luta tem sido promissora…
E continuam o prélio, lutam para garantir a preservação dos recursos naturais, em tempos que nós da cidade, sentimos na pele a escassez da água…
Num mundo pautado pelo individualismo, o quilombo soube angariar parceiros…
Teve ajuda do ITESP: levantaram uma pousada… Receberam ajuda de uma ONG socioambiental… Mas é bom dizer a visão da comunidade sobre isso: Seu Ditão, uma das lideranças marcantes do vilarejo, em uma palestra, foi enfático, e nos mostrou uma lucidez de fazer inveja aos racionalistas acadêmicos ou ultraliberais capitalistas: “A Ong pode ajudar, mas chega uma hora que temos de largar da mão dela, e passar a andar sozinho”…
Nossa viagem pra lá foi com amigos, os quais conhecíamos pouco, nunca tínhamos viajado junto, embora parecia que já havíamos feito diversas viagens… Companhia boa de viagem não se escolhe… Ela escolhe você…
Por fim: tomamos um suco de Maná vendo o rio Ribeira do alto, que privilégio!
Jantamos legitimamente como se janta um caipira… Comemos doces produzidos da bananeira, enquanto, lá fora, as estrelas recheavam o céu…
O turismo no Ivaporunduva é o que já estamos acostumados de falar aqui neste blog: é o turismo de base comunitária…
Um turismo mais humanista, pois não trata os seres (a comunidade e turistas) como mero fetiche… A visita é interessada, é o aprendizado rola numa via de mão dupla…
Viva os Panteras negras! E viva Zumbi!
Viva o Quilombo do Ivaporunduva!!!

Ps: Por fim ainda vislumbramos a Caverna do Diabo, poucos quilômetros do Quilombo, as fotos revelam, sem mais!

PS2: As fotos do céu estrelado são do Flávio Titus!


Contato
Olavo Pedroso, Coordenador Local, Turismo Quilombo Ivaporunduva – Eldorado SP Tel Público: (13)38795000 (13)38795001 Correio eletrônicol: ivaporunduvatur@yahoo.com.br

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Sao Bento do Sapucaí e Bairro do Cantagalo

São Bento do Sapucaí (SBS) é uma estância climática do Estado de São Paulo que faz divisa com Minas Gerais. Diferente da afamada vizinha, Campos dos Jordão, o que se encontra por lá é uma cidade bem menos agitada. E isso não é demérito, tendo em vista que a cidade dispõe de um sem número de atividades distribuídas espacialmente por seus rincões, pelas praças, ou pelas proximidades das suas igrejas. E também, temporalmente, com algumas festividades anuais.
Muito além do catolicismo, religião historicamente presente nas cidades interioranas, em SBS ocorre costumeiramente, em maio, no Bairro do Quilombo, a manifestação afrodescendente Congada.
Outro marco, aliás, o “marco”: a região foi campo de batalha durante a revolução constitucionalista de 1932, e as figuras simbólicas de tal movimento são constantemente citadas por moradores, nos bares, nos muros ou monumentos.
A cidade tem uma boa disposição para atendimento ao turismo. Logo no portal fomos recepcionados por Reni, da central de informações turísticas. Muito atenciosa nos indicou diversos lugares, explicando, por meio de mapas, como acessar alguns locais, inclusive nos apresentou a agência de turismo receptivo local, incluindo o turismo comunitário no bairro do Cantagalo.
Com esta dica, conhecemos Lidiane, uma espécie de agitadora do turismo, ou agitadora cultural que nos recomendou diferentes atividades na cidade, inclusive, a principal e mais proveitosa, o bairro do Cantagalo.
Lidiane comanda a agência citada acima, a Rotas e Rochas!
Uma outra figura do Bairro é um morador apaixonado por cinema que transformou a fachada de sua casa tal como o clássico do cinema Italiano, Cinema Paradiso. Havia um cinema na cidade que infelizmente, por motivos de forças nada ocultas, ou seja, falta de apoio, deixou de existir.

A pedra bruta: A pedra do Baú
No dia seguinte combinamos com um taxista uma ida até a pedra do Baú. O taxista foi o seu José Carlos “Amizade”.
No caminho se vê algumas plantações. De SBS até a pedra são pouco mais de 20 minutos. A pé, bem mais de uma hora pela estrada, caminhada bem longa.
O Taxi nos deixou até o mirante, onde começa uma trilha.

A trilha: é imprescindível preparo físico, ainda mais se for subir os “ganchos-escada”, chamemos assim, vejam a foto. Não subimos tais ganchos, pois, recomendamos que tal expedição seja acompanhada de um guia, inclusive procurar a agência Rotas e Rochas que pode orientar melhor!
A trilha dura cerca de 1 hora até a face norte. É possível também seguir até a face sul onde existem outras escadas. Alguns aventureiros que lá estavam disseram ser uma subida mais fácil que a face norte. Bom conferir…
Resumindo, fizemos a trilha parcialmente, somente a caminhada (aprox. 1hora) até os tais ganchos, pois, nesta viagem, nosso intuito estava além de conhecer as trilhas…

Uma “pedra de toque” do turismo comunitário: o simpático bairro do Cantagalo
Foi nos dois últimos dias que conhecemos uma experiência recente de turismo de base comunitária, e que ainda está começando a despontar em um pequeno bairro a aproximadamente 18km de São Bento do Sapucaí.
Pousamos na fantástica hospedaria do Gallo de Daniel. Fomos recepcionados também por sua mãe, dona Helena, enfim, anfitriões simpaticíssimos! Hospedaria que é uma extensão da casa destes moradores, tipicamente caipiras!
Dona Helena prepara a comida em fogão à lenha e que dispensa comentários: bolinho de povilho no café da manhã, tradicional arroz com feijão, panqueca com queijo fresco, frango ensopado… A despeito do pleonasmo: é um buffet da fartura!
Daniel também possui um bar bem ao lado da pousada: o “bar do gato”. O típico lugar das pessoas o bairro – digo: dos moradores-, que acolhem muito bem qualquer visitante que esteja de passagem.
Dona Helena, além do zelo nas refeições, nos acompanhou em uma pequena caminhada no bairro. E assim nos deparamos com diversas figuras, como a hospedaria Vó Maria. Assim conhecemos o agitador cultural do bairro, Rodrigo, que organiza uma biblioteca e também aparelha uma espécie de cinema ao ar livre, com uma TV e que ele batizou de cinema da roça!!!
Cantagalo faz parte do Caminho da fé

Inclusive Rodrigo é um desses peregrinos que caminham por horas, dias e semanas!
Nas trilhas que entrecortam as montanhas partindo de São Paulo às Gerais, há uma em especial: a trilha da onça que leva a um mirante onde é possível ver várias cidades. Vale pra peregrinos, andarilhos, mochileiros… Vale mesmo é ter disposição: 5 horas de trilha! No entanto, não fizemos, deixamos para a próxima viagem!
Acumulamos dívidas de passeios para uma possível volta!
Por fim, também conhecemos Antônio, um professor-pesquisador que tem forte ligação com o bairro do Cantagalo. Este, embora da área de humanas, tem empreendido um projeto ousado e inovador: uma plantação de oliveiras para produção de azeite. Reza a história que na serra da Mantiqueira em tempos nem muito distantes havia produção de azeitonas, segundo conhecimento do próprio Antonio.
É possível visitar a fábrica de Antonio e conhecer o processo de produção do azeite, além de, eventualmente, provar/degustar seus diversos tipos.
Daniel nos contou que os projetos de turismo comunitário e rural foram fomentados pela secretaria de turismo de São Bento. Contudo, é importante ressaltar: a disposição das pessoas para fazerem a diferença é que levam a possibilidade de desenvolver um tipo de turismo mais justo, contando-se também com o profundo enraizamento e identificação dos moradores com o bairro.
Vale visitar e torcer por esse belíssimo bairro tipicamente caipira!!!

Algumas dicas de hospedagem, comida e bebida em São Bento:
Vó Hilda ou Albergue da Cida no centro de SBS!
Comida boa e preço justo: Restaurante Taipa
Bares para breja, vinho, cachaça e afins: Grão do Galo, Blues bar!
Telefones:
Taxi: Amizade 12 37911102
Antonio: 12 997618369
Hospedaria do Galo: pousadadogalo@hotmail.com
Tel: 35 91851988
Hospedaria Vó Maria: hospedariavomaria@gmail.com
Tel: 35 9707 5627
Passeios com guias locais:
José Regi 35 84297141
Ou também com Daniel da pousada do galo!

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Dos tempos antigos e de hoje

Como não moro mais lá, causa-me estranheza ainda voltar à Cohab, e toda vez quando estou no metrô tenho lapsos de tempo ou transgressões que me remetem a algumas situações e indagações…

Parece sempre haver uma dilatação do tempo…

A começar pela velocidade do trem… Sempre lotado, desafiando algumas leis de espaço… Consequências da solidez do transporte amorfo que carrega a imensa massa…

O destino do amontoado, parte da gente daquele bairro, onde morava, sempre fadada às mudanças vertiginosas, ora em saltos, ora em rupturas, tal como as teoria kuhnianas…
O metrô chegou serpenteando os confins da ZL em 1986. No inicio foi até motivo de lazer. Todos: crianças, adultos e velhos aproveitaram as primeiras horas gratuitas do veículo. Uma engenhoca que chamava a atenção pela grandeza… Grandeza semelhante às negociatas que os gestores públicos, responsáveis pelo transporte, veem-se, por estes tempos, acercados.

Sobre futebol na área:
Lá no Bairro também tinha um misto de terreno baldio com um grande campo de futebol. Lá havia campeonatos de embaixadinhas onde o troféu era uma garrafa do refrigerante bizarro capaz de desentupir uma privada. Tal refrigerante, um luxo à época, sempre se dando bem: mais adiante explico…
Depois transformaram o campo numa praça, um dos maiores eventos da história local. Homenagearam (muito justo) uma dessas mulheres de luta do bairro, que infelizmente foi vítima das já fatais toneladas de violências de trânsito agressivo.
A juventude sequiosa por diversão apinhava-se na praça, tinham muitos festivais, sim senhor. Durou pouco. Aquele prefeito, símbolo paulistano do período militar, voltou e tratou de pô-la no esquecimento.

Nos saltos:
Em tempos recentes veio uma Copa, e o lugar se viu às voltas com os holofotes planetários.
Pintaram alguns prédios, pintaram quase tudo de vermelho (a cor do refrigerante), pintaram o sete… No melhor, grafitaram muros no metrô, na verdade deixaram os grafiteiros grafitar… Estruturas metálicas cortam toda a paisagem agora bem na entrada do bairro… Levantaram mais muros… Parecia sinais de mudança… Parecia… Pois tão imperfeito como o pretérito do verbo é o mesmo passado que ainda se arrasta e vive a deixar a esperança nos fanicos de mudanças…

Diante disso teve um vai não vai de ter copa que era semelhante à viagem do trem velho nos dias de chuva. Quem ganhou com a copa a gente já sabe: foi o tal refrigerante (o de sempre) dos campeonatos de embaixada, e também as empreiteiras, as quais os políticos reverenciam com o beija-mão dos tempos…

Quanto mais se distanciar nos confins da ZL mais se percebe que a Copa não trouxe muita coisa de interessante para o povo de lá (pensando no geral, e não no umbigo)…

Não há muito que esperar de um evento que capta com rigor a mania de grandeza do turismo convencional…
Mas, enfim, até houve um fugaz encontro multicultural… Viajantes que escolhiam perambular pela área e que se sentiam a vontade… Também teve certa magia errante da amizade informal, e com esta, encontros de moradores da periferia paulistana com figuras de pátrias de nomes impronunciáveis…

Havia uma oposição, ainda que diminuta, ao turismo programado, concentrado, que nunca se deixa desviar e que, neste mundão regido pelo efêmero, é contagiado pela aparência das coisas,…

Uma moradora de uma residência que esperara ansiosa pra faturar com a copa e alugou sua casa para uns gringos, no final das contas até deixou prá lá o valor da locação… Valeu a amizade…

Tão mágico como manter as memórias dos tempos que se foram é ainda ver a prevalência das pretensões existenciais nas amizades estabelecidas nas viagens…
Em tempos em que até as horas de lazer são friamente calculadas por trás das lentes dos “cifrões”.

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2013: manifestações, ações, lazer e suas centelhas para 2014

2013-10-20 15.28.12  

2013 ainda não acabou e nem vai acabar na virada do dia 31. Por estes dias, uma expressão tem sido sistematicamente comparada à frase alegórica de Zuenir Ventura sobre 1968, quando certa vez tal jornalista proferiu que este foi o “o ano que não acabou”.

2014, ano que vem, dessa vez eu sei, vai ser diferente, como lembra uma música da Plebe Rude.

Será? Não sei. Pode ser. Podemos especular e torcer, quem sabe.

Haverá uma copa, pra lá de suspeita – críticas não faltam – por mais que haja o frisson do caldo cultural propício a se levantar em meados do ano.

O que na verdade não se pode negar é que as empresas, principalmente, as construtoras estão faturando muito, e os governantes, aqui e acolá, nos rincões do país, esquecem das muitas demandas sociais e diversas políticas públicas.

Entre elas, o lazer.

Miramo-nos em São Paulo como exemplo: cidade grande, população crescente e uma juventude sequiosa por espaços de entretenimento. Pouco se fez aqui nos últimos anos. Inclusive algumas gestões anteriores foram marcadas por autoritarismo onde manifestações artísticas de ruas foram duramente reprimidas.Sobre autoritarismo, ano que vem teremos o infeliz aniversário de 50 anos de golpe militar.

Outros fatores que legitimam a discussão sobre a falta de espaços de lazer, ou mesmo, falta de planejamento, são as ações que mobilizaram a instalação de parques e praças antagonizando à lógica vigente de especulação imobiliária.

A reforma da praça Roosevelt se viu envolta logo no inicio do ano em uma polêmica sobre seu uso, principalmente, por parte de skatistas no local. Vale lembrar que os skatistas sempre ocuparam a Roosevelt, ainda antes da reforma da praça. Uma outra discussão, ainda mais recente, veio à baila nos noticiários e redes sociais, sobre um extenso terreno na rua Augusta. Alvo de disputa entre grandes construtoras e lideres da região. Alguns moradores da região encabeçaram um movimento que reivindicava a instalação do Parque. Ponto para os últimos, e para a cidade também, pois foram vitoriosos.

Estes fatos são exemplos de que a cidade se move na direção de buscar formas entretenimento que não apenas os shoppings, espaços pouco democráticos, em que nada contribuem para a sociabilidade – a não ser a do consumo. Salvo o discurso de dinamizar a economia, estes locais são severamente criticados, quando o assunto é lazer e sociabilidade. Aqui, deve-se entender a sociabilidade no seu terreno mais saudável, o ato de compartilhar mesmo, algo que os autores deste blog acreditam que seja o essencial para promover mudanças sociais em uma sociedade com um sem-número de problemas e dilemas sociais. Qualquer tentativa de estabelecer espaços de lazer em um shopping, sempre terá por trás o intuito de que o cliente circule mais, e permaneça mais no estabelecimento. O lazer deve trazer experiências diferentes que enriqueçam as pessoas culturalmente, e contribuam para sua formação intelectual. Levar as crianças apenas no shopping contribui apenas para a cultura do consumo e quase nada para um enriquecimento cultural, uma vez que se trata de um ambiente “pasteurizado” e homogêneo.

2013-10-20 18.08.48

Na contramão da especulação imobiliária, da crescente dos shoppings, do imobilismo causado pelo tédio, pululam movimentos. Coletivos como Ocupe Abrace, por exemplo, concretizaram diversos atos interessantes. Tive o prazer de participar da festa da Praça da Nascente, que é realizada na praça (homônima à festa), tendo suas edições em todas as estações anuais.

Um local interessante, além do citado acima, e que foge à regra, é o Las Magrelas – que é uma bicicletaria, lanchonete, bar, enfim – encabeçado por uma galera das bikes, que agitou (e vem agitando) muito o “movimento” deste veículo: luta por respeito nas ruas, já que as próprias ruas paulistanas, império dos automóveis, tornaram-se intragáveis. Mas, agora, as bikes são uma mirada para a solução de transporte, ainda que seja paliativa, para uma cidade que jamais cresceu de forma planejada.

No local vimos um interessante evento, o Bike Art, que promoveu shows e diversas manifestações artísticas e gastronômicas.

2013-11-24 14.52.12

No turismo o crowdfounding, uma nova forma bem interessante de arrecadar recursos para interesse coletivo, também conhecido como vaquinha virtual, trouxe o projeto garupa. O Garupa já neste primeiro ano tem ajudado comunidades no Vale do Ribeira, na Amazônia, podendo ter sua continuidade em ações para benefícios das comunidades receptoras de turismo.

Pra finalizar digo que é nas periferias que urge a necessidade de se implantar políticas públicas de lazer. Importante dizer que por conta disso muitos dos jovens periféricos fazem grandes deslocamentos para se divertir nas regiões centrais, por exemplo, para andar de skate, seja na Paulista, ou mesmo na Roosevelt. Vale também reiterar que os movimentos sociais nas periferias nunca dormiram e nem, tampouco, eram sonâmbulos. Manifestaram-se sempre para cobrir o descaso e despreparo de governantes. Saraus, como da Cooperifa, do Binho são exemplos bem sucedidos, e já de longa data.

Em ano de copa espera-se que não apenas os terrenos baldios sejam as áreas de lazer das áreas suburbanas. Quem morou e teve sua infância por lá, sabe disso. Fato infeliz e que denota total segregação socioespacial. Muita gente está mostrando que qualquer um pode se mover, se juntar, criar e reivindicar espaços de lazer. Também notamos formas criativas de manifestar e de lutar.

Dedico este post aos velhos amigos de estrada da mesoperiferia, um movimento da zona norte de São Paulo de muita ação, de muita história, ativo como sempre, e também ao Espaço tempo, pessoas muito além de 2013, o tal ano peculiar na história de São Paulo e evidentemente deste país.

E fica a dica dos eventos citados e hiperlinkados (são apenas alguns deles), para quem quer curtir Sampa no próximo ano. Sendo paulista ou não.

2013-11-24 16.31.45

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